Tifanny no Vôlei Bauru: Por que uma transexual pode jogar na Superliga Feminina?

No início do mês de dezembro, o torcedores do Vôlei Bauru receberam a notícia da contratação da jogadora Tifanny.

A goiana é transexual e esteve na cidade em Julho, quando passava por recuperação após a cirurgia de mudança de sexo. De acordo com o assessor do time, Marcelo Ferrazoli, a ideia era apenas trazê-la de volta a forma para que, após esse período, retornasse à Europa. No entanto, a boa receptividade do clube e dos torcedores, aliados ao fato de estar mais próxima dos familiares, pesaram para que ela quisesse ficar e assinasse o contrato por aqui.

A chegada da atleta trouxe à tona uma discussão: afinal, por que uma jogadora transexual pode participar normalmente de disputas como a Superliga feminina?

A resposta está nos preceitos do Comitê Olímpico Internacional (COI) que tem uma legislação a respeito da participação de jogadores transgêneros em competições oficiais. A Federação Internacional de Voleibol (FIVB) e a Confederação Brasileira de Voleibol seguem a resolução que, desde 2016, permite a participação de homens sem qualquer restrição. Já nos caso das mulheres, é necessário ter a quantidade de testosterona (hormônio masculino) controlada para competir em equipes femininas. Embora Tifanny tenha feito a cirurgia de mudança de sexo, essa exigência não é mais necessária.

“A atleta Tifanny está totalmente legalizada e apta para disputar não só a Superliga 2017/2018, mas também qualquer competição oficial em qualquer país do mundo”, explica o assessor do Vôlei Bauru.

Tifanny no Vôlei Bauru: Por que uma transexual pode jogar na Superliga Feminina?

Há quem diga que o fato da atleta já ter participado de competições masculinas represente uma vantagem para o time bauruense. No entanto, por estar dentro das exigências necessárias, isso acaba não fazendo muito sentido, afinal, manter a testosterona dentro dos limites a coloca em igualdade com demais as jogadoras.

Adeus, preconceito!

“O Vôlei Bauru acredita que a contratação de Tifanny representa não só uma oportunidade de inclusão, mas também da quebra de barreiras e preconceitos no esporte”, garante o porta-voz do time, esclarecendo que em nenhum momento houve medo de que isso abalasse a confiança dos torcedores.

Já a jogadora entende que esse importante passo em sua carreira é uma forma de abrir portas para outras atletas que se sentem excluídas. Ela fez história e se tornou a primeira transexual a jogar na Superliga! “Não me sinto especial ou melhor que as outras jogadoras, mas penso que estou abrindo portas para que outras, que têm medo de ser quem são e, principalmente, deixaram o esporte por medo de não serem aceitas, possam também seguir uma carreira”.

Além disso, ela conta que está muito feliz na cidade-sanduíche:

“O que mais me faz feliz é a forma que a torcida te levanta, te ama, te abraça junto com as demais atletas do time e nos ajuda a vencer. É a melhor coisa que tem.”

 

 

 

 

 

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